Assim vai a Horta Urtiga

Artigo pertence a: A varanda

Já não atualizo o blog da Horta Urtiga há algumas semanas e, por isso mesmo, hoje faço um ponto de situação para que saibas o que de mais relevante tem acontecido na horta.

Nas próximas semanas vou continuar a fazer algumas colheitas e a planear o que vou plantar nos próximos meses.

Tomateiros

Os tomateiros continuaram o seu crescimento e desde o início do mês que tenho feito colheitas regulares de pequenos tomates deliciosos. O primeiro tomate foi colhido no dia 30 de julho. Foram +/- 3 meses desde o dia em que plantei os tomateiros até ao dia em que os colhi.

A partir do momento em que os tomates começaram a crescer aconteceu um dos problemas que também tive o ano passado: em alguns dos tomates começou a aparecer uma mancha escura no fundo. Este tipo de “doença” chama-se Blossom End Rot (BER) e a sua origem pode ser justificada por vários fatores, nomeadamente:

  • Falta de cálcio no solo.
  • Haver cálcio no solo mas as plantas não o conseguirem absorver. Isto pode acontecer por causa do PH do solo não ser o mais correto.
  • Falta de água.

Quando este problema começou a surgir a minha reação inicial foi colocar na água da rega alguma Dolomita (pedra em pó) diluída no sentido de corrigir os níveis de Cálcio, mas acredito que o problema tenha acontecido também por alguma falta de rega. De qualquer forma, depois de alguns terem aparecido assim, os seguintes apareceram normais e não tenho tido mais problemas.

Blossom end Rot

Durante estas semanas fiz também uma experiência que consistiu em retirar alguns “chupões” que fui obtendo nas podas dos tomateiros e colocá-los em terra para ver se estes criavam raízes. Posso-te dizer que obtive grande sucesso e que esta é uma forma realmente simples de obter “novos” tomateiros a partir de uma planta já desenvolvida.

Neste momento ainda tenho bastantes dezenas de tomates para colher até ao final do verão. À medida que forem ficando vermelhos é só colher! 🙂

Pimenteiros

O ditado que diz que quando algo começa mal dificilmente se endireita aplica-se aqui na perfeição.

Depois de os pimenteiros terem estagnado por causa de os ter plantado quando o tempo ainda estava muito frio, optei por fazer a poda e eles começaram a crescer de forma descomunal e neste momento tenho pimenteiros quase da altura dos tomateiros. No entanto, como um mal nunca vem só (mais um ditado 🙂 ), apercebi-me que a maior parte das folhas dos pimenteiros estavam a ficar meias encorrilhadas. A exceção acontecia no pimenteiro padrão e no pimenteiro branco que estão plantados noutros vasos.

Após algumas leituras cheguei à conclusão que este sintoma se possa dever a um problema de falta de cálcio ou então ao facto de os pimenteiros estarem a ser atacados por alguma praga. Depois de uma observação cuidada cheguei à conclusão que estavam a ser atacados por pulgões. Nunca pensei que os pimenteiros também tivessem pragas deste género. Resumindo e concluindo, ataquei a praga com Óleo de Neem, pulverizando uma vez por semana as folhas com uma solução de 1% de óleo para 99% de água. Os pulgões desapareceram mas as folhas ainda estão um bocado esquisitas. Nesse vaso onde tenho três pimenteiros plantados ainda não tenho nenhum pimento.

Pimenteiros

O pimenteiro padrón tem permitido colher alguns pimentos mas não em tanta quantidade como no ano passado. Acredito que também esteja relacionado com o tal frio inicial a que as plantas estiveram sujeitas e que atrofiou o seu desenvolvimento.

O pimenteiro branco tem dois pequenos pimentos que se estão a desenvolver. Acredito que estes pimentos não fiquem muito grandes uma vez que o pimenteiro está plantado numa caixa de cultivo com altura bastante reduzida.

Pimentos brancos

Courgette

A courgette começou muito bem, com a colheita de um fruto logo no início, mas a coisa também estagnou. Desde essa primeira colheita nunca mais consegui colher nada e passo a explicar porquê.

As courgettes são plantas que têm flores macho e flores fêmea (chamemos-lhes assim para simplificar). Na base das flores fêmea surgem pequenas courgettes que, para crescerem, precisam que a flor receba pólen que existe apenas nas flores macho. Para que isso aconteça, é preciso retirar pólen de uma flor macho e colocar numa flor fêmea e isto é feito por via de insetos polinizadores ou manualmente, através de um cotonete, por exemplo 🙂 . A coisa não é complicada, complicado é ter ao mesmo tempo uma flor macho e uma flor fêmea abertas para poder fazer este procedimento. As flores normalmente ficam abertas durante um curto espaço de tempo ao início da manhã e depois fecham, caindo ao fim de alguns dias. Se tiver existido a polinização, a mini courgette começa a crescer, senão, fica pequenina e tem que ir para o lixo.

O que tem acontecido na Horta Urtiga é que, de manhã, ou estão flores macho abertas, ou flores fêmea, portanto, não é possível fazer e polinização 🙂 . Acredito que este problema não surja a quem tiver mais do que uma planta.

O ideal é estas flores telefonarem umas às outras para ninguém aparecer ao engano 😉 .

Alfaces e Rúcula

As alfaces e rúculas que tinha plantado individualmente entretanto foram colhidas e consumidas. Neste momento já não tenho plantas isoladas plantadas. Com o calor, este tipo de plantas espigam e não é possível serem consumidas uma vez que ficam com um sabor desagradável.

Curiosamente, a experiência que fiz quando semeei várias alfaces juntas continua a produzir excelentes resultados, permitindo colher folhas de forma regular. Outra mais valia deste tipo de plantação é que as plantas não espigam (pelo menos para já). Acho que a partir de agora vou passar a plantar sempre assim. Vou também experimentar plantar a rúcula desta forma.

Alface

E pronto, a Horta Urtiga está assim.

Até ao próximo artigo!