O substrato da Horta Urtiga

Artigo pertence a: O baú da Horta Urtiga

Na Horta Urtiga, o substrato que utilizo quer para as sementeiras quer para plantar é sempre o mesmo: coco com perlite ou vermiculite. É só isso numa proporção de mais ou menos 75% de coco para 25% de perlite ou vermiculite.

Tem em atenção que este substrato é estéril e não contém nutrientes para as plantas se poderem alimentar. Os nutrientes, neste tipo de substrato, têm que ser adicionados posteriormente na forma líquida ou sólida. Daqui por uns dias, no Baú da Horta Ortiga, farei um artigo sobre como é feita a fertilização na horta. Para começares no imediato a experimentar a satisfação de ver uma planta a crescer, sugiro que procures numa grande superfície comercial ou horto substrato para legumes (biológico, marciano, das montanhas do tibete, qualquer coisa…). O importante é experimentar!

Porque razão uso estes componentes no substrato

Quando comecei a procurar uma forma de cultivar na varanda, uma das coisas que mais me suscitou dúvidas foi de que forma teria que fazer de ano para ano. Teria que comprar terra com nutrientes todos os anos, teria que fazer rotação de culturas, etc. Nessa altura, após analisar vários artigos, acabei com uma shortlist de dois métodos de cultivo que esclareciam todas as minhas dúvidas: o da EarthBox e o do Square Foot Garden.

Nos seus substratos ambas as técnicas têm em comum dois elementos, sendo eles a vermiculite/perlite e turfa(peat moss). Esta mistura permite que o substrato tenha sempre a quantidade de água ideal mantendo-se sempre leve e maleável, graças à perlite/vermiculite que confere leveza ao solo ocupando espaços e à impossibilidade de colocar água a mais nesta mistura porque quando a turfa atinge o ponto de saturação, não absorve mais água.

Já agora, e apenas a título de curiosidade, o substrato do Square Foot Garden também utiliza composto. Basicamente é constituído por um terço de turfa (Peat Moss), um terço de vermiculite/perlite e um terço de composto. Segundo as instruções da receita original, chamada de Mel’s Mix em homenagem a quem inventou este sistema, o Mel Bartholomew, deve ser usado composto “feito em casa”. Não podendo ser usado composto feito em casa devem ser adquiridos cinco compostos de diferentes proveniências que após serem todos misturados formam o tal super composto que substitui o “feito em casa”.

Mas então como é que te lembraste do coco?

Após muitos anos de utilização de turfa na agricultura de um modo geral e nestes modelos de cultivo em específico, chegaram à conclusão que a extração e a utilização da turfa não é sustentável uma vez que é um produto que demora muitos anos a ser produzido e que a sua extração tem grande impacto no local de onde é extraída.

Por essa altura houve alguém que se lembrou que a casca do coco, já usada então em hidroponia, tem propriedades muito parecidas com as da trufa, no entanto, é perfeitamente sustentável porque a casca do coco, até se terem apercebido desta característica era muito desperdiçada. Eu arrisco-me a dizer que estamos a falar quase de reciclagem 🙂 .

No início, segundo li, houve alguma dificuldade em utilizar o coco como substituto direto porque o coco tinha indícios de sal que criava problemas às plantas. Hoje em dia, devido ao aparecimento de novas técnicas, os produtores de casca de coco já conseguem ter uma qualidade boa neste produto para utilizar em agricultura. A EarthBox, por exemplo, substituiu totalmente nos seus Kits a turfa por casca de coco.

É melhor usar coco ou turfa?

Como em tudo na vida, há uma grande discussão em torno disto. Para mim faz sentido utilizar coco porque serve o propósito que pretendo, de forma mais barata e sustentável, portanto, uso coco 🙂 .

Na minha perspetiva as plantas não querem saber se têm as raízes em coco, turfa ou terra. As plantas querem ter as raízes confortáveis, com espaço para crescer e acesso a água e nutrientes. Tenho exatamente o mesmo raciocínio relativamente aos fertilizantes, uma planta precisa de macronutrientes e micronutrientes mas não quer saber se eles vêm de um fertilizante químico, de borras de café ou de cascas de ovo. Quer é comer 😉 . Mas isto fica para outra altura.

Onde podes encontrar estes materiais

Eu costumo comprar em lojas que vendem materiais para hidroponia. Moro no Porto e por aqui há muitas lojas físicas desse tipo. Online também é possível encontrar.

O meu primeiro contacto com o coco foi através do kit que o meu filho me ofereceu, adquirido no Ikea, portanto, lá também deve ter (pelo menos o coco).

Quais os passos que utilizo para preparar o substrato

  1. Coloco numa bacia um “tijolo” de coco.
  2. Adiciono cerca de 4 litros de água (o fabricante indica 4 a 5 litros).
  3. Espero cerca de 10 minutos para que o coco absorva a água.
  4. Com uma pá (ou mãos) ajudo o tijolo a desfazer-se.
  5. Adiciono a perlite ou a vermiculite com cuidado porque costuma levantar algum pó (se estiver vento não é boa ideia fazeres esta operação porque o pó pode ir para os olhos e é muito irritante. Tem especial atenção com crianças por perto).
  6. Misturar bem, de preferência com a ajuda de umas mãos pequeninas 😉 .
  7. Está feito!

Dica: quando cai substrato para o chão, e isso acontece principalmente quando há crianças por perto, é mais fácil apanhar quando o substrato seca.

Na segunda-feira passada, quando tive que transplantar coisas na varanda, tive que fazer algum substrato. Coloco de seguida alguma imagens que recolhi na altura:

Fiz também um vídeo que demonstra o processo: