Acerca da Horta Urtiga

Plantas e flores foram sempre seres com os quais nunca tive grande afinidade. Aqui em casa, duravam pouco, morriam cedo e, sinceramente, acho que não gostavam de mim. Houve um bonsai que durou algum tempo mas, apesar dos cuidados que tinha com ele, acabou também por morrer (creio que se terá suicidado).

O ano passado, por altura do dia do pai, algo mudou. Recebi de prenda um kit de cultivo com alguns materiais para preparar um pequeno vaso com ervas, oferta do meu filho de 3 anos, claro está. Desse kit não nasceu grande coisa mas o entusiasmo do meu filho a mexer na terra, a colocar sementes e a vê-las crescer foi o suficiente para eu ganhar uma motivação extra para explorar um pouco mais o assunto. Dei por mim, diariamente, a verificar os pequenos vasos com as ervas a crescerem e passadas umas semanas estava viciado nesta história das plantações. A magia que o meu filho sentiu, também eu a senti.

Comecei a comprar sementes para semear mais algumas ervas aromáticas, alguma terra, uns vasos e quando dei por mim estava a ver de que forma podia ter umas alfaces na varanda onde até essa altura existiam duas cadeiras e uma mesa com escassas visitas anuais. É realmente impressionante presenciar uma pequena semente transformar-se numa planta adulta.

A primavera foi avançando e acabei por ter caixas e sacos de cultivo na varanda adaptados de formas de cultivo que encontrei online enquanto tentava descobrir como plantar as coisas, como regar e como adubar. Um maravilhoso mundo novo. Tive muitas dúvidas pelo caminho mas fui sempre conseguindo ver coisas novas a crescer na varanda e as alfaces deram lugar a tomates, feijão e pimentos. As mesmo tempo em que as flores davam lugar a frutos, o meu filho ganhou o gosto de comer alface e tomate e com 4 anos sabia mais como cresce um tomateiro do que muitas pessoas da minha idade (aqui, inclui-se o pai).

No final do ano estávamos todos muito satisfeitos, mas o calor foi acabando e a horta que enchia a nossa varanda de vida estava agora vazia e vivia apenas nas nossas memórias. As plantas foram secando ou ganhado flores e respetivas sementes, o ultimo pimento surgiu, o ultimo tomate ficou vermelho e depois, nada…

O Inverno não deu para plantar nada porque as lindas borboletas brancas que esvoaçavam pela horta deixaram-nos de recordação não tão lindas lagartas que comeram os tão planeados grelos para o Natal. Também há coisas destas, nas hortas 🙂 .

Este ano, entusiasmado a preparar as coisas para a nova horta, gostava de ter imagens da nossa horta no ano anterior. Gostava de saber como esteve em março e em setembro, gostava de ter registos de como plantei as coisas e em que altura. De quando as plantas deram flor e apareceram os primeiros frutos. Enquanto pensava nisso, lembrei-me que podia criar um site onde poderia colocar toda essa informação para que seja possível consultar sempre que necessário. Se essa informação puder ajudar os outros a descobrirem este mundo, perfeito.

No final de março partilhei em casa a ideia de que iria criar este site e ocorreu-me apenas nessa altura que o site precisava de um nome, que a nossa horta precisava de um nome. Nesse instante perguntei ao meu filho qual o nome que ele gostaria de dar à nossa horta. Pensei eu que ele demoraria algum tempo a refletir sobre o assunto, mas não, demorou dois segundos e a resposta foi simples, sem hesitações e direta:

HORTA URTIGA 

Disclaimer:

Este site reflete as minhas opiniões, baseadas no que vou lendo e nas experiências pessoais que vou fazendo. Cultivar uma horta está sujeito a muitas opiniões e gostos pessoais e existem discussões intermináveis acerca de tópicos como agricultura biológica, com químicos, sustentável, em hidroponia, etc. Esta não é a única ou a melhor maneira de cultivar: é a minha maneira de cultivar.